América do Sul vira epicentro global da covid-19

Covid: 681 mil casos e 37,6 mil mortes || Bolívia: ministro da Saúde é preso || Argentina dá novo calote || País a país, um resumo das notícias do continente, no Giro Latino

A Organização Mundial da Saúde (OMS) admitiu, em coletiva de imprensa na sexta-feira (22), que a América do Sul se tornou o novo epicentro da pandemia de coronavírus. Segundo o diretor do programa de emergências da entidade, Michael Ryan, o aumento acelerado do número de casos da região faz com que o subcontinente seja, agora, o maior foco de preocupação – com o Brasil ocupando um posto de destaque negativo, sendo o responsável pelos maiores aumentos em números absolutos e estando entre os piores mesmo quando se ajusta para a população: hoje, o Brasil só tem menos mortes por milhão que o Equador, que viveu uma catástrofe entre o final de maio e a primeira quinzena de abril. Proporcionalmente, já está pior do que todos os outros vizinhos não só na América do Sul, mas mesmo quando se incluem os demais latino-americanos na lista.

Como um todo, a América do Sul mais do que dobrou seus casos e mortes em apenas duas semanas, com um aumento de 105% nos contágios oficiais e 102% nos óbitos entre 8/5 e 22/5, segundo levantamento exclusivo deste GIRO (no Brasil, o crescimento nesse mesmo período foi de, respectivamente, 126% e 111%). Embora a irresponsabilidade brasileira diante da crise assuste a todos há algum tempo, o país não é o único que vem sofrendo na última quinzena: com exceção de Paraguai e Uruguai, onde o ritmo seguiu controlado, os outros oito latinos da América do Sul registraram seus recordes diários de novos casos ou novos óbitos nos últimos dias, com aumentos acumulados de contágios ou mortes (ou ambos) na ordem de 80% para cima em relação aos números que apresentavam em 8/5. O Peru, um dos países que mais testam e onde a população não respeitou muito as ordens de isolamento, tornou-se o primeiro da região, depois do Brasil, a superar os 100 mil casos da doença na quarta (20). Com um detalhe: testando, proporcionalmente à população, seis vezes o que o Brasil testa.

Mesmo países exaltados pela boa resposta inicial à pandemia, como a Argentina e o Chile (cuja explosão de casos destacamos na edição passada), agora vivem uma aceleração inédita e experimentam um “pico depois do pico”, com novos aumentos diários acima do que, até então, vinha se considerando a pior fase. Ambos tiveram que voltar atrás em suas políticas de flexibilização, restringindo uma série de atividades que haviam sido liberadas em Santiago e Buenos Aires. Até em locais pouco transparentes com seus números, como a Venezuela (que, milagrosamente, não registra nenhum óbito por covid-19 há mais de mês, desde 20/4), os casos passaram a crescer em ritmo vertiginoso para seus próprios padrões: na terra de Nicolás Maduro, mesmo sem reconhecer novas mortes oficiais pela doença, os casos admitidos pelo governo saltaram de 388 para 944 em apenas duas semanas, um aumento de 143%.

Hoje, embora ninguém tenha perspectivas tão sombrias quanto o Brasil, onde os casos nunca desaceleraram (ao contrário da maioria dos vizinhos, que tiveram uma redução do ritmo e acabaram vendo ele aumentar após afrouxar a quarentena), poucos países sul-americanos podem se tranquilizar diante da pandemia. De fato, de acordo com os pesquisadores do portal End Coronavirus, só Paraguai e Uruguai, citados mais acima, representam a América do Sul na lista dos 46 países que, hoje, estão “vencendo” o coronavírus no mundo. Não à toa, os uruguaios – onde os novos casos cresceram ínfimos 9% nas últimas duas semanas em que quase todos os vizinhos dobraram seus contágios ou passaram perto disso – já têm até data para voltar com as aulas até mesmo na capital, como veremos nesta edição.


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ARGENTINA 🇦🇷

A Argentina deu, na sexta (22), mais um calote na dívida, deixando de pagar US$ 503 milhões em juros, que haviam vencido em 22/4 e iniciaram uma contagem regressiva de 30 dias para o default. Um metacalote: os juros não pagos nesta semana vêm de títulos emitidos em 2016 pelo então presidente Mauricio Macri para sair de outro default. A nova inadimplência vem em plena renegociação da dívida maior, estimada em quase US$ 69 bilhões, para a qual o governo Alberto Fernández tenta convencer os credores a aceitar novos termos: nesta semana, anunciou uma nova prorrogação dos prazos da renegociação, originalmente marcada para se encerrar em 8/5, depois adiada para 22/5 e, agora, estendida até 2/6. Fernández aposta na crise da pandemia para vender a necessidade de reestruturação. O presidente, de todo modo, minimizou os fatos: para ele, a Argentina já estava em default virtual “há meses” e a situação não é novidade para ninguém. Na Istoé Dinheiro.

A flexibilização das medidas de isolamento fez a Argentina viver uma aceleração nos casos e mortes da pandemia. Na sexta (22), o país registrou seu recorde de novos contágios em 24 horas: 718. Agora, os casos vêm crescendo nas villas, os bairros pobres e precários dos arrabaldes de Buenos Aires. Assim como já havia ocorrido com o Chile, a Argentina também deve voltar atrás: é esperado para este fim de semana um anúncio delineando um novo endurecimento da quarentena e o fechamento do comércio nos bairros mais afetados da capital. No Clarín.

O ministro do Esporte e Turismo, Matías Lammens, tem uma ideia controversa para retomar o futebol argentino: mandar os jogos em províncias que ainda não registraram casos de covid-19. Segundo ele, a ideia “não é nenhuma loucura”, apesar de exigir um teste massivo de todos os envolvidos e um isolamento de toda a delegação em hotéis. O governo criou um comitê especializado que vai avaliar as condições sanitárias e discutir a volta aos treinos de todas as modalidades. No Goal.

BOLÍVIA 🇧🇴

A América Latina já tem o primeiro ministro da Saúde preso na crise sanitária. O governo interino de Jeanine Áñez demitiu Marcelo Navajas e outros funcionários acusados de participar da compra superfaturada de 170 respiradores no valor de US$ 5 milhões. O ministro também foi detido, acusado de liderar o esquema. A pasta será comandada interinamente pela vice-ministra Eidy Roca. Em El País.

Em nova reviravolta do caso acima, o juiz que poderia conceder liberdade provisória a Navajas e outros acusados foi, ele próprio, detido na tarde de sexta (22), horas antes da audiência. O juiz Hugo Huacani é acusado de prevaricação e emitir sentenças inconstitucionais. A Associação de Magistrados da Bolívia protestou pela prisão que considerou ilegal, enquanto os advogados do ex-ministro da Saúde e dos outros quatro acusados pelo superfaturamento ficaram sem saber o que fazer, com seus clientes não podendo ter seus pedidos apreciados no prazo legal. Em El Deber.

Um caso com final feliz, mas que mostra como a desigualdade é um agravante na pandemia. Na cidade de Sacaba, em Cochabamba, oito primos com idades entre 3 e 13 anos se contaminaram juntos e resolveram enfrentar a quarentena unidos, até receberem alta durante a semana. Apesar do sucesso na recuperação, o caso revela uma realidade comum na América: famílias numerosas em aglutinação involuntária (e inevitável). Basta só um membro ser exposto ao vírus que todo o grupo é infectado. Na BBC.


Un hilo:

CHILE 🇨🇱

Protestos na capital pedindo mantimentos resgataram imagens das manifestações de 2019, que ficaram marcadas pela repressão policial. Em Santiago, manifestantes foram recebidos com gás lacrimogêneo e jatos d’água, enquanto gritavam “não é contra a quarentena, é contra a fome”. Assim como na insurreição do último ano, a corda arrebenta do lado mais pobre, esgotando a já pequena reserva que muitos chilenos mantinham para sobreviver à quarentena. Com a crise econômica que veio com a pandemia, cerca de 5 mil famílias já enfrentam situação de extrema pobreza. Na BBC.

Há 60 anos nesta semana, a terra tremeu como nunca antes fizera na história registrada – e de um modo que já não voltaria a fazer nas seis décadas desde então. Em 1960, às 15h11 de 22/5, a região centro-sul do Chile foi atingida por um sismo com a maior magnitude já vista, calculada em 9,5. O aniversariante Terremoto de Valdivia e o subsequente tsunami, com ondas de até 27 metros de altura, matou pelo menos 2 mil pessoas, deixou prejuízos bilionários e continua a ser alvo de estudos de sismólogos no Chile e no exterior. Em La Tercera.

COLÔMBIA 🇨🇴

O governo confirmou as datas para os “3 dias sem IVA”, uma isenção no imposto que incide sobre produtos e serviços do país. Criados na reforma tributária aprovada no ano passado, os dias sem imposto tinham o objetivo de incentivar as vendas, e se tornaram uma esperança para reativar a economia em meio à crise pandêmica: os dias sem IVA serão 19/6, 3/7 e 19/7, e incluirão também insumos agrícolas utilizados na produção de alimentos. Em El Tiempo.

A Procuradoria-Geral da Colômbia anunciou, na quinta (21), que vai solicitar a prisão de 10 prefeitos ao redor do país por supostos atos de corrupção ocorridos durante a pandemia. Denúncias de compras superfaturadas se acumulam na mesa dos investigadores, que já têm 512 casos em análise. Até a Marinha é suspeita de gastar o dobro do valor de mercado na compra de 1,3 milhão de máscaras. Via Reuters.

COSTA RICA 🇨🇷

Com uma boa resposta à pandemia, a Costa Rica se tornou o primeiro país latino-americano a levar adiante uma medida que outros ainda discutem como (ou se) fazer: o regresso do futebol. O campeonato local foi retomado na terça (19), com a vitória de 1x0 do Guadalupe sobre o Limón. O restante da rodada aconteceu na quarta e novos jogos ocorrerão neste final de semana. O Clausura, segundo campeonato da temporada 2019/2020, havia sido interrompido em 15/3, quando faltavam sete jogos para o fim da primeira fase. Em El País.

CUBA 🇨🇺

O Ministério da Saúde do Brasil aprovou o nome de 157 médicos cubanos a serem reintegrados no programa Mais Médicos, criticado por Jair Bolsonaro e extinto ainda antes da posse, mas reformulado em 2019 com o nome Médicos pelo Brasil. A medida reinsere os profissionais sob um contrato de dois anos, sem prorrogação. Entre os estados com maior número de médicos da ilha estão Bahia, com 41, e Ceará, com 39. No G1

Um pequeno surto de raiva matou duas pessoas de uma mesma família na cidade de Mayarí, após uma delas ser mordida por um gato de rua. Apesar do “evento epidemiológico” – nas palavras das autoridades de saúde – estar controlado, o caso assusta por ser o primeiro registro da doença em Cuba desde 2008. Estima-se que 20 mil pessoas sejam atacadas todos os anos por animais, em especial cães, gatos, morcegos e até lagostas. No Cuba Debate.

EL SALVADOR 🇸🇻

O presidente Nayib Bukele anunciou que pretende reabrir a economia com medidas que devem começar a partir do dia 6/6, plano que foi possível após as medidas drásticas do país contra o coronavírus. No campo político, porém, instabilidade: no começo da semana, a Corte Suprema – com quem Buekele vive a trocar farpassuspendeu o decreto que determinava estado de emergência em todo o território nacional, apesar de o próprio mandatário ter prorrogado a medida por mais um mês. O presidente reagiu criticando o legislativo, com quem também não guarda boa relação. Segundo os parlamentares, a extensão do decreto é “inconstitucional”. Bukele chegou a prometer que vai apresentar uma demanda contra Congresso e Supremo à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando que a atuação de ambos “viola o direito à saúde e à vida dos salvadorenhos”. Apesar da intriga política, o país é um dos menos afetados pelo vírus. Na DW.


Un nombre:

Plaza de Mayo – célebre praça localizada no centro de Buenos Aires, de frente para a Casa Rosada (sede do executivo). Foi palco da Revolução de Maio de 1810, que destituiu a monarquia espanhola do comando e deu início a um demorado processo de independência, rebatizando o próprio logradouro. Leia mais.


EQUADOR 🇪🇨

Tentando uma retomada após ter vivido a situação mais dramática da América Latina na pandemia entre o fim de março e a primeira quinzena de abril, o Equador deve anular todos os feriados pelo que resta do ano. Assim indicou a ministra de Governo, María Paula Romo, em entrevista. Segundo ela, o primeiro feriado cancelado será na próxima segunda (25), quando o país deveria ganhar folga na data que celebra a Batalha de Pichincha de 1822, episódio decisivo para a independência equatoriana. A efeméride, na verdade, é no domingo, mas uma lei nacional transfere os feriados para o dia seguinte nesses casos. O presidente Lenín Moreno ainda precisa sancionar o cancelamento dos feriados. Em El Universo.

GUATEMALA 🇬🇹

A Refugees International e a Human Rights Watch, duas das principais organizações mundiais relacionadas à migração e refúgio, dizem que os EUA violam suas próprias leis quando induzem imigrantes a desistir de seus respectivos processos de asilo. Segundo as entidades, o Acordo de Cooperação Migratória (ACA, na sigla em inglês), que define a Guatemala como terceiro país seguro e faz com que solicitantes de asilo nos EUA aguardem seus processos em solo guatemalteco, força uma “deportação com escala” – nome dado ao relatório que apresenta as denúncias. No Notimérica.

HAITI 🇭🇹

A maior prisão do país, em Porto Príncipe, já é foco de coronavírus, revelaram os testes divulgados na quinta (21). Onze de 12 detentos que tiveram suas amostras coletadas na semana passada deram positivo para covid-19, e se estimava que o número de presos com sintomas da doença já se aproximasse de 50 na ocasião. O diretor da prisão, que tem histórico de vivenciar e amplificar todas as epidemias vividas pelo país (em 2010, foi o cólera), solicitou ao governo que todos os detentos e funcionários sejam testados nos próximos dias. Via AFP.

HONDURAS 🇭🇳

Quando o assunto é combate ao narcotráfico, o presidente Juan Orlando Hernández não é a pessoa mais indicada. Em 2019, seu irmão foi condenado pela justiça dos EUA por operar uma rede de tráfico de drogas desde 2004. JOH, o mandatário, é um dos principais acusados não só de acobertar os delitos familiares mas de receber subornos milionários e até aparelhar instituições do país para limpar o nome da família. O venezuelano Juan Guaidó cometeu o deslize de discutir soluções contra o narco justamente com Hernández. Mais um descuido do autoproclamado presidente venezuelano que, cada vez mais, parece ter acabado politicamente (veja nosso vídeo, mais abaixo). No Hondudiario.

MÉXICO 🇲🇽

Os profissionais de saúde têm tido vida difícil na pandemia mexicana. Além dos riscos comuns a todos trazidos pela covid-19, muitos têm sido atacados nas ruas pela população com medo de pegar a doença. Na quarta (20), um novo caso se somou à lista de agruras: a polícia resgatou, em um hotel da Cidade do México, 14 enfermeiros e médicos que haviam sido sequestrados em uma operação que buscava extorquir suas famílias cobrando resgates. O caso, ainda nebuloso, não havia rendido nenhuma prisão até o fechamento desta edição. No Infobae.

Em novo espetáculo de violência, morreu José Rodrigo Aréchiga, conhecido como “El Chino Ántrax”, um dos principais nomes do cartel de Sinaloa. Além de influente na hierarquia do grupo, o traficante trabalhou diretamente com o líder “El Chapo” Guzmán e comandava uma célula criminosa armada que lhe rendeu o apelido. Capturado em 2014 em Amsterdã, conseguiu prisão domiciliar em março de 2020. A casa em que Aréchiga foi executado ficou cravejada de balas. No Político.

A Liga MX, entidade que organiza o campeonato de futebol do país, anunciou, na sexta (22), que o torneio Clausura foi cancelado. Motivada pela pandemia, a decisão deixará o Campeonato Mexicano sem um vencedor pela primeira vez desde 1931, quando brigas administrativas impediram a continuidade dos jogos. O Clausura, segundo torneio da temporada 2019/2020, havia sido suspenso em 15/3, faltando sete jogos para o fim da primeira fase. Se tivesse transcorrido normalmente, ele acabaria em 31/5. No Excelsior.


Un clic:
Um soldado apaga a pergunta “¿Dónde están?”, lema dos movimentos que buscam desaparecidos políticos.

NICARÁGUA 🇳🇮

Genocídio. O pesado conceito vem sendo utilizado para se referir à inação de governos que negam a gravidade da pandemia e, na América Latina, o nicaraguense disputa o primeiro lugar da fila a cotovelaços com o brasileiro. Nesta semana, uma conferência de direitos humanos na vizinha Costa Rica denunciou, pela primeira vez, o que vem acontecendo do outro lado da fronteira como “um genocídio impulsionado por uma negligência criminosa”. O encontro foi promovido pela Fundação Arias para a Paz e o Progresso Humano, criada pelo ex-presidente costarriquenho Óscar Arias, Nobel da Paz em 1987 por sua ação na resolução das crises centro-americanas. No Nación.

A OPAS, Organização Pan-Americana da Saúde, denunciou que teve acesso negado aos hospitais do país, mesmo após o presidente Daniel Ortega garantir que observadores poderiam visitá-los. A mais nova virada autoritária incrementou as suspeitas de que os números da pandemia divulgados pelo governo estão falseados. Nesta semana, os próprios dados oficiais deram um salto: após vários dias mantendo os números baixos, na terça (19) os casos saltaram de 25 para 279 e as mortes foram de 8 para 17. O Observatorio Ciudadano Covid-19, entidade independente que lista casos suspeitos que o governo tenta ocultar, diz que o país pode já ter 2,3 mil casos e 465 mortes. Via AP.

PANAMÁ 🇵🇦

Temendo que vizinhos façam a situação sanitária sair do controle, a Costa Rica tem aplicado medidas estritas nas fronteiras, até mesmo para os transportadores estrangeiros. Em protesto, caminhoneiros panamenhos passaram a impedir a entrada dos veículos costarriquenhos, até que uma flexibilização fosse anunciada. Na quarta (20), por fim, os governos dos dois países chegaram a um acordo que permitiu a reabertura da passagem entre Costa Rica e Panamá. No Nación.

PARAGUAI 🇵🇾

O Senado aprovou um voto de censura contra o ministro da Educação, Eduardo Petta, passo simbólico que pode ser repetido pelos deputados, aumentando a pressão para que o presidente substitua o titular da pasta. A votação veio após uma série de protestos do movimento estudantil e de sindicatos de professores. A falta de diálogo com estudantes e docentes, a imposição de condições para liberar alimentos às escolas, a distribuição de materiais com erros e, sobretudo, a incapacidade de implementar o treinamento para utilização de tecnologias de ensino a distância tão necessárias durante a pandemia (só 7,5 mil professores receberam a instrução, de 40,5 mil previstos) estão entre as razões apontadas para o voto de censura. Na sessão do Senado, Petta ainda foi chamado de “autoritário e narcisista”. No ABC Color


Un video:

PERU 🇵🇪

Em meio à crise, o Ministério da Educação já registrou 110 mil pedidos de transferências de estudantes de escolas particulares para o setor público, em uma plataforma online disponibilizada pelo governo para esse fim. Diante da demanda ampliada, o titular da pasta, Martín Benavides, diz que uma série de medidas estão sendo projetadas: desde o aumento da capacidade das salas de aula, que não poderia ser implementado com o isolamento em vigor, até o oferecimento de classes em turnos alternativos e de mais atividades a distância. Na RPP.

No último domingo (17), o primeiro atentado do Sendero Luminoso completou 40 anos. Ocorrido no vilarejo de Chuschi, na região de Ayacucho, o episódio deu início ao período de violência em que a guerrilha protagonizou massacres e levou o terror às ruas do país, travando uma guerra sangrenta com o Estado que deixou milhares de civis mortos. Entre os episódios mais famosos estão as bombas plantadas em carros na capital Lima, em 1992, no ataque que ficou conhecido como Atentado de Tarata. Na Folha.

PORTO RICO 🇵🇷

Garantindo ter achatado a curva, a governadora Wanda Vázquez anunciou a reabertura gradual da ilha a partir da próxima terça (26). As regras da “nova normalidade” incluem o uso obrigatório de máscaras fora de casa, restaurantes operando a 25% da capacidade e serviços como salão de beleza e barbearia só funcionando com horário marcado. Além disso, será mantido o toque de recolher das 19 horas às 5 da manhã até, pelo menos, 15/6. Especialistas consideram a reabertura arriscada, já que Porto Rico não estaria realizando testes em quantidade suficiente para mapear corretamente o estágio da pandemia na ilha. Via AP.


Una expresión:

Irse al patio de los callados – muito utilizada no Chile, forma de dizer que alguém morreu. O “pátio dos calados” nada mais é do que o cemitério. Além disso, uma pessoa pode estar vestindo “pijamas de madeira” – ou seja, foi para o caixão.


REPÚBLICA DOMINICANA 🇩🇴

A oposição solicitou que a Junta Central Eleitoral (JCE) emita uma nova resolução para a convocatória das eleições presidenciais que foram adiadas pela pandemia. Isso porque, no texto original da remarcação, não consta a garantia do direito ao voto para os dominicanos no exterior. Marcadas originalmente para 17/5, as votações agora devem ocorrer em 5/7. Quase 600 mil dominicanos residentes fora do país, um contingente que equivale a quase 8% do eleitorado inscrito, dependem da resolução para votar. No Hoy.

URUGUAI 🇺🇾

Entre as melhores situações do continente no combate à pandemia, o Uruguai deu mais um passo para a volta às aulas presenciais. Após reabrir escolas rurais gradualmente ao longo do mês de maio, o governo anunciou o retorno das atividades também em instituições de ensino urbanas a partir de 15/6. Em Montevidéu, o retorno será a partir do dia 29/6. Entre as regras, o impedimento de que as aulas durem mais de quatro horas, o controle de entrada e saída dos alunos e a hora do recreio em horários alternativos. Escolas que atendem o ensino infantil, alunos em situação de vulnerabilidade ou especiais terão programação de retorno própria. Em El País.

Na quarta (20), o país realizou a 25ª edição da Marcha do Silêncio, evento que desde 1996 recorda os desaparecidos políticos da ditadura (1973-1985), cobrando verdade e justiça. Pela primeira vez, a marcha propriamente dita não pode ocorrer, em função das medidas de distanciamento social, mas a data foi marcada por uma série de atos, incluindo um telão que percorreu a 18 de Julio, principal avenida de Montevidéu, com fotos das vítimas. Em El Observador.

VENEZUELA 🇻🇪

Em situação absurda para um país erguido sobre ricos poços de petróleo, mas que viu sua produção despencar pela eterna crise, a Venezuela agora depende de ajuda externa para manter reservas de combustíveis que permitam o país funcionar minimamente. O Irã anunciou o envio de cinco petroleiros para colaborar, mas há uma pedra no meio do caminho – ou, melhor, há uma série de navios estadunidenses no mar do Caribe, prontos para interceptar embarcações “estranhas” sob o pretexto de combater o narcotráfico. O governo Maduro anunciou que enviará escolta armada para garantir que os iranianos cheguem ao seu destino, enquanto a representação diplomática venezuelana nos EUA disse que, se os norte-americanos impedirem a chegada do combustível, estarão cometendo um “crime contra a humanidade”. Via Reuters.

Até a TV a cabo foi cortada: a DirecTV, que detinha 44% das assinaturas do país, deixou de operar na terça (19). Segundo a AT&T, responsável pelo sistema, tornou-se impossível conciliar as sanções dos EUA (onde a empresa está sediada) com as exigências de Caracas: por um lado, o governo Trump proibia a inclusão dos canais Globovisión e o da estatal do petróleo, PDVSA; por outro, o governo Maduro só autorizava o funcionamento se eles estivessem na grade. A Justiça venezuelana ordenou que a estrutura e equipamentos da empresa fossem apreendidos e que ela voltasse a operar imediatamente, mas, com o abandono da propriedade, a medida não deve surtir efeito algum. O fim de mais um entretenimento em meio à quarentena gerou protestos pelo país. Via AFP

Sem alarde, a Venezuela completou nesta semana um mês sem registrar qualquer morte por covid-19. Os números da pandemia têm causado suspeitas em observadores, tanto pela baixa quantidade de casos positivos apesar das afirmações do governo de que realiza testagem massiva, quanto pelos relatos que pipocam em jornais da oposição, de pessoas que dizem ter familiares mortos por covid-19 que não vêm sendo contabilizados. Seja como for, o governo não reconhece nenhuma morte por coronavírus desde 20/4, sequência de dias inédita na América Latina, mesmo que os casos tenham aumentado 231% desde então. Na quarta (20), dia em que a Venezuela completou um mês sem mortes, Nicolás Maduro não destacou o fato, e preferiu acusar a Colômbia de estar tentando infectar seu país ao mandar ônibus com doentes através da fronteira.


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