Argentina vive terremoto político após racha no peronismo

Haiti: investigado por magnicídio, premiê demite procurador | ONU: Justiça venezuelana colabora com repressão | Peru: fundador do Sendero Luminoso será cremado | Equador: ecos da convulsão de 2019

“A gestão continuará a se desenvolver conforme eu julgar conveniente”, disse Alberto Fernández, o presidente que jamais teve tempo para pensar: no poder desde o final de 2019, tomou posse só alguns meses antes de a pandemia começar a varrer o continente e a agravar em ritmo de tango eletrônico os problemas socioeconômicos de uma Argentina em desespero. Sentimento que só aumentou durante a última semana, disparada a pior para o governante até aqui: na esteira da dura derrota eleitoral nas primárias legislativas do último domingo (12), quando os pré-candidatos da coalizão peronista perderam em 18 dos 24 distritos – o que pode significar uma futura tragédia para o governo no Congresso, nas eleições propriamente ditas que ocorrem em 14/11 – Fernández viu o primeiro sinal do abalo, e todos os ministros e altos funcionários que representam a vice-presidenta Cristina Kirchner em seu Gabinete colocaram os cargos à disposição. O gesto político, que não equivale a uma renúncia imediata (mas acabaria por mudar profundamente a composição ministerial), transformou a fissura eleitoral em uma cratera: foi um claro recado da ala kirchnerista ao presidente, mostrando que os aliados de Cristina, ainda a principal força política da esquerda argentina, queriam que Fernández revisse os ocupantes dos cargos, a começar pelo chefe dos ministros, Santiago Cafiero, e o ministro da Economia, Martín Guzmán. 

O chefe da pasta econômica é um bom ponto inicial para entender a crise. Guzmán, nome forte do presidente e de cujas decisões à frente da escangalhada economia nacional Kirchner e os seus discordam publicamente, chegou a receber um telefonema da vice, que garantiu ao ministro que não veio dela o pedido por sua renúncia (de fato, quando as indicações de Cristina começaram a ganhar espaço na noite de sexta, Guzmán permaneceu onde estava). O gesto significou alguma tentativa de trégua, sobretudo porque é justamente na economia que mora o principal problema do país: no projeto de Orçamento enviado pela pasta na quarta (15), por exemplo, as previsões são de uma inflação de 33% ao ano, além de um quadro de déficit e de um crescimento tímido do PIB (considerando o contexto de recuperação após o auge da pandemia), de só 4%. Figuras mais pragmáticas, dos dois lados, enxergam os conflitos dos últimos dias como um entrave para resolver os problemas que realmente importam. 

Mas não apenas o pragmatismo habita a atual disputa de poder. Quando os rumores de uma rixa entre presidente e vice começaram a aumentar, a deputada ultrakirchnerista Fernanda Vallejos, que integra uma ala do movimento liderada por um filho de Cristina, teve um áudio vazado em que chama o presidente de “mequetrefe”, “cego” e de “inquilino” do palácio de poder. Não deu outra: mesmo após Vallejos se desculpar pelas falas “inapropriadas” que vieram no “calor do momento”, as declarações foram vistas como um sincericídio, revelando o que realmente pensam os seguidores mais fiéis da vice-presidenta. Na sequência, um novo áudio vazado da deputada lançou luz sobre sua opinião a respeito do manejo da pandemia: definiu a gestão de Fernández diante da covid-19 como “péssima”, sem salvar “vidas nem economia”, e entendeu que o governo estaria “dando de presente a volta [ao poder] à direita”. No ano passado, embora tenha mantido os números baixos por meses com quarentenas severas, a Argentina não fez o dever de casa em termos de testagem e rastreio e viu uma explosão de contágios e mortes tão logo reabriu.

E como ficam os dois líderes da chapa na história? No caso de Alberto Fernández, de início se adotou uma postura de rechaço à existência de “disputas” e a afirmação de que não aceitaria as renúncias. Mas a crise não podia ser negada: ele até cancelou uma viagem que faria ao México para participar da cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) neste final de semana, para seguir cuidando da bagunça em casa. Do lado de Cristina Kirchner, a resposta foi mais dura e detalhada: em uma carta à nação publicada em seu site oficial, mostrou insatisfação quanto à falta de clareza no diálogo com o presidente, criticou decisões do governo e sugeriu que seu companheiro de chapa subestimou os impactos socioeconômicos nas primárias da última semana. Além disso, em um conhecido tom de repúdio à imprensa que acusa de ser “antikirchnerista”, disse que “não é mentirosa ou hipócrita”. Por fim, confirmando o tamanho do problema que há pela frente, lembrou o que ocorreu em 2019, quando decidiu apontar Fernández como cabeça de chapa para a corrida presidencial: “Quando tomei a decisão [...], fiz com a convicção de que era o melhor para o meu país. Peço apenas ao presidente que honre essa decisão... mas, acima de tudo [...], que honre a vontade do povo argentino”. 

No final da noite de sexta-feira (17), veio a revoada ministerial tão adiada durante a semana, com indícios de vitória de Cristina na queda de braço palaciana: o questionado Santiago Cafiero seguirá ocupando um ministério, mas perdeu o velho poder – ele substitui Felipe Solá nas Relações Exteriores, enquanto a chefia de gabinete agora vai para as mãos de Juan Manzur, um peronista conservador que até aqui era o governador da província de Tucumán (onde ficou nacionalmente infame por sua oposição ao aborto, que levou à realização de uma cesárea em uma menina de 11 anos que havia sido estuprada). Mas, além da nomeação de Manzur, uma indicação de Cristina, a atual vice-presidenta teve outras vitórias: Aníbal Fernández, ex-ocupante de vários ministérios nos governos do casal Kirchner, agora ficará com a pasta de Segurança, e o porta-voz da Presidência, Juan Pablo Biondi (criticado duramente por Cristina), também caiu, sendo substituído por Juan Ross.


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DESTAQUES

🇭🇹 Premiê vira suspeito e demite procurador – Novos capítulos na crise política haitiana: o primeiro-ministro Ariel Henry, que está governando o país até a realização de eleições, foi para o centro das investigações em torno do assassinato do presidente Jovenel Moïse, no início de julho. Henry se converteu em peça-chave da trama após o inquérito apontar que, na véspera do atentado, ele teria telefonado duas vezes para o suspeito de ser o autor intelectual do crime. Convocado para depor e se vendo diante até mesmo de pedidos para que renunciasse, o premiê preferiu afastar os desafetos: na terça (14), rolou a cabeça de Bed-Ford Claude, o procurador que havia inserido Henry na lista de suspeitos. Um dia depois, foi a vez do ministro de Justiça, Rockfeller Vincent, ser substituído por Liszt Quitel, o titular de Interior, que agora ocupará as duas pastas. Outros membros do governo renunciaram em protesto contra a falta de colaboração com a Justiça, mas o primeiro-ministro – que assumiu após uma disputa de poder na sequência da morte de Moïse – por enquanto mantém o respaldo internacional para governar o país. O próprio Henry, que não comentou a suposta conexão com o alegado mandante do assassinato, diz que as acusações não passam de “politicagem”.

🇵🇪 Corpo de fundador do Sendero Luminoso gera impasse – O Congresso do Peru aprovou uma decisão que vinha sacudindo a opinião pública: a cremação do corpo de Abimael Guzmán, líder histórico da guerrilha Sendero Luminoso, reconhecida como terrorista pela lei peruana. Após a morte do camarada Gonzalo no último sábado (11), que cumpria pena de prisão perpétua desde os anos 90 pelo assassinato de pelo menos 30 mil pessoas no contexto dos ataques da célula armada, o país quis saber o que seria feito com um dos homens mais odiados da nação. Um grupo minoritário, incluindo o partido governista Perú Libre, não concordava com reduzir os restos mortais a cinzas, mas, sim, enviar o corpo à viúva de Guzmán, Elena Iparraguirre, antiga liderança do Sendero que também está presa. Como o pedido de entrega do corpo foi feito por uma amiga da família, a coisa não andou e, por 70 votos a 32, a cremação vai acontecer. Após a morte do guerrilheiro, o presidente Pedro Castillo, sempre associado de forma generalizada ao Sendero ainda que tenha sido um rondero que combateu a violência do grupo armado, disse que seu governo repudia o terrorismo. A decisão sobre o cadáver de Guzmán abre precedente para outros condenados por terrorismo ou traição à pátria, que também deverão ser cremados no futuro – a ideia é não produzir uma sepultura que vire um local de culto para eventuais seguidores do morto. No El Comercio.

🇻🇪 ONU: Justiça colaborou com violações – O Poder Judiciário da Venezuela teve um papel “muito importante” na repressão estatal à oposição dos últimos anos, afirmou um novo relatório da ONU divulgado nesta semana. Com base em 177 entrevistas e documentos legais, os investigadores da Missão Independente criada em 2019 concluíram que os juízes venezuelanos tiveram participação ativa em legitimar violações de direitos humanos cometidas contra opositores e olharam para o outro lado quando era conveniente ao governo. Entre os achados, o relatório afirma que tornou-se rotineira a exigência de detenções prévias aos julgamentos e a emissão de mandados de prisão retroativos, “limpando” procedimentos que haviam sido originalmente ilegais, muitos deles voltados a grupos contrários a Nicolás Maduro. A investigação aponta que a conivência da Justiça venezuelana contribuiu para um cenário onde denúncias de torturas (inclusive sexuais) contra os presos se tornaram comuns. Via AFP.

🇪🇨 Greve traz ecos da convulsão de 2019 – As centrais sindicais equatorianas lideraram uma greve geral nesta quarta-feira (15). Por volta de 3 mil pessoas foram ao ato em Quito, segundo os organizadores, e houve bloqueios nas estradas de acesso a outras cidades importantes, como Guayaquil e Cuenca. A Frente Unitária dos Trabalhadores (FUT) reclama ao governo de Guillermo Lasso que congele os preços dos combustíveis diante da alta internacional. Neste mês, o país viu a gasolina e o diesel aumentarem em cerca de 35% e 45% em comparação com o mesmo período do ano passado. Os manifestantes também pediram a declaração de inconstitucionalidade da Lei de Apoio Humanitário, que flexibilizou a legislação trabalhista durante a pandemia de covid-19. O presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), Leonidas Iza, avisou que, se Lasso seguisse em clima de hostilidade contra os manifestantes, os protestos deste ano poderiam repetir a convulsão social de outubro de 2019. Na ocasião, o presidente Lenín Moreno se viu obrigado a mudar a sede do governo para Guayaquil e a manter os subsídios dos combustíveis, cuja suspensão serviu de estopim para o movimento encabeçado pela própria Conaie. Em El Comercio.

🇧🇴 Major é destituído por rasgar wiphala Foi das cenas que mais simbolizaram o racismo do movimento golpista da Bolívia em 2019: integrantes das forças policiais cortando a wiphala, bandeira que representa os povos originários, de seus uniformes. Desde o início de 2021, ao menos 26 policiais foram denunciados por dessacrar a bandeira – oficialmente, um símbolo nacional – e pela participação no motim golpista. Nesta semana, o quarto oficial de alto grau foi destituído da corporação: o major Jhamil Jhasmany Sandy Gonzales recebeu do Tribunal Disciplinar de Cochabamba uma “baixa definitiva sem direito a reincorporação” por “incorrer em atos públicos, desonrando os símbolos nacionais, a instituição ou o uniforme policial”. Em um dos vários vídeos do tipo que viralizaram, Sandy Gonzales arrancava a wiphala enquanto seus colegas celebravam: “agora somos república” (uma alusão à mudança do nome oficial do país, que deixou de ser República da Bolívia para virar Estado Plurinacional da Bolívia nos anos de Evo Morales). Em El Deber.


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MAIS NOTÍCIAS

REGIÃO 🌎

Uma vigília virtual pela democracia brasileira. É o que vários antigos líderes latino-americanos têm feito diante da destruição política capitaneada por Jair Bolsonaro. Entre várias frentes de dentro e fora do país, o ato marcado para este final de semana vai contar com a participação de pelo menos três ex-presidentes latino-americanos: entre eles, o uruguaio Julio María Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000), o chileno Ricardo Lagos (2000-2006) e o colombiano Ernesto Samper (1991-1998). No Estadão.

A maior parte da América Central celebrou seu Bicentenário de Independência nesta quarta-feira (15), data em que a Capitania Geral da Guatemala (composta pelo que hoje são a própria Guatemala, mas também Costa Rica, El Salvador, Honduras e Nicarágua) proclamou sua autonomia diante da Espanha. Na Costa Rica, um show de drones iluminou o céu da capital San José, mas o momento festivo também teve protestos pela região: em solo guatemalteco, indígenas cujos povos foram massacrados antes e depois da independência definiram a data como “200 anos de calamidade, corrupção, saques e roubo”. A independência conjunta remete a um passado comum que, por alguns anos no século 19, até tentou se manter como um futuro unitário, na República Federal de Centroamérica, mas já em 1839 o projeto tinha ido por terra e os países atuais ganharam corpo. Mas nem toda a América Central comemora a autonomia na mesma data: uma notória exceção latina é o Panamá, que tem como data nacional o 28 de novembro de 1821, e sem buscar autonomia imediata, já que preferiu se unir à Grã-Colômbia (a separação com os colombianos só viria em 1903).

Perdendo a guerra às drogas todos os anos desde que a declarou, o governo dos EUA voltou a culpar países latino-americanos pelo seu reiterado fracasso: desta vez, Joe Biden acusou Bolívia e Venezuela de não terem feito “esforços substanciais” para cumprir os acordos antinarcóticos ao longo dos últimos doze meses. Os governos em Caracas e La Paz se defenderam, dizendo que cumprem o prometido e acusando os EUA de se posicionarem de maneira unilateral e sem buscar informações sobre a erradicação de drogas dentro dos países sul-americanos. Via Reuters.

Pela primeira vez, os novos casos de covid-19 na América Latina estão em um patamar inferior ao que eram exatamente um ano antes: os contágios da última semana foram o menor número em sete dias desde junho de 2020. As mortes, por sua vez, permanecem no patamar mais baixo desde novembro. Leia nosso levantamento semanal aqui.

ARGENTINA 🇦🇷

Enquanto os governistas brigam entre si, o apoio da extrema direita cresce na Argentina: o economista Javier Milei, fã de Jair Bolsonaro e Donald Trump, defensor da liberação da posse de armas, contrário à legalização do aborto e entusiasta de uma eventual explosão no Banco Central, obteve 13,7% dos votos válidos nas primárias legislativas em Buenos Aires – foi o terceiro mais votado na cidade, atrás da macrista María Eugenia Vidal (48,2%) e do kirchnerista Leandro Santoro (24,7%). Conhecido por seus ataques de fúria na televisão argentina, onde é figurinha carimbada, o descabelado Milei disse aos seus eleitores que veio para “despertar leões”. No Infobae.

Até as boas notícias vêm com asteriscos: a inflação argentina para agosto ficou em “apenas” 2,5%, a menor taxa mensal em mais de um ano (no Brasil, onde a escalada de preços também está fugindo ao controle do governo, o número mensal ainda não ultrapassou 1%). Ainda assim, poucas razões para celebrar, já que a espiral continua sendo uma das piores da região: quando desconsiderada a Venezuela, cujos números já se tornaram incalculáveis tamanho o colapso econômico, é a Argentina quem mantém a maior inflação anual latino-americana, fechando em 51,4% de aumento na comparação com doze meses atrás. Via Reuters.

BOLÍVIA 🇧🇴

A crise climática segue se alastrando pelo continente. Um dos países afetados é a Bolívia, onde os incêndios já consumiram mais de 1,6 milhão de hectares de pastagens, fazendas particulares e reservas florestais, de acordo com um novo boletim oficial do governo, o que já preocupa o vice-ministro de Defesa Civil, Juan Carlos Calvimontes. Até aqui, a extensão da área arrasada pelas queimadas equivale ao território do Kuwait (17,8 mil km²). “Infelizmente, os incêndios se tornaram recorrentes, pois têm muitas origens, desde a atividade agropecuária e o descontrole das queimadas para preparar terrenos, até aqueles indivíduos que, de forma mal-intencionada, provocam incêndios em alguns lugares”, diz Calvimontes. Em 2020, o GIRO já alertava sobre o caráter regional da catástrofe no clima. Em La Nación.


Una expresión:

La Grieta – conceito popularizado pelo jornalista Jorge Lanata que descreve o racha interno na política da Argentina (no caso brasileiro, é a “polarização”). A ideia era usada inicialmente para se referir à dupla antagônica de peronismo e antiperonismo. Em seguida, virou sinônimo de kirchnerismo e antikirchnerismo. E, mais recentemente, também ganhou o acréscimo do binômio entre macrismo e antimacrismo. Em um discurso de 2013, o próprio Lanata previu que a divisão política do país não seria tão fácil de resolver: “La Grieta é a divisão irreconciliável que há na Argentina. E acho que vai transcender o atual governo. La Grieta vai permanecer, porque não é mais política, é cultural”.


CHILE 🇨🇱

Com uma das campanhas de vacinação mais bem-sucedidas no subcontinente, o país se tornou nesta semana o primeiro da América do Sul a inocular crianças entre 6 e 12 anos. A nova fase da campanha vacinal atende, primeiro, crianças com comorbidades. As demais receberao as doses da Coronavac (por lá, Sinovac) a partir de 26/9. A subsecretária de Saúde Pública, Paula Daza, disse que “12% dos casos que tivemos no país até metade do ano foram em menores de 18 anos”, disse. A nação transandina já tem mais de 73% de sua população totalmente vacinada. O avanço da campanha e a queda continuada dos números da covid-19 fez o país anunciar, nesta semana, que reabrirá mais aeroportos para turistas em outubro, após seis meses de restrições. Na Voz del Interior.

A dois meses das eleições presidenciais marcadas para 21/11, metade dos chilenos ainda não tem certeza sobre o melhor nome para receber a faixa de Sebastián Piñera, que está de saída. Uma nova pesquisa do Centro de Estudos Públicos (CEP) ouviu mais de 1,4 mil pessoas com duas perguntas distintas: quem elas acreditam que será o novo presidente do Chile e quem elas gostariam que assumisse o cargo. Embora Gabriel Boric, à esquerda, apareça como o mais cotado para vencer o pleito (25% das respostas, à frente dos 18% do conservador Sebastián Sichel e dos 10% de Yasna Provoste, da centro-esquerda tradicional), essa proporção não se reflete quando o tema são preferências. Perguntados sobre quem gostariam que vencesse as eleições, apenas 13% responderam Boric e 11% citaram Sichel, enquanto Provoste caiu para 6% – já a proporção de “não sabe/não respondeu” bateu em 50% dos consultados. Claramente, ainda há muita água para rolar até novembro. No Pauta.

COLÔMBIA 🇨🇴

Os velhos fantasmas da violência seguem causando um banho de sangue no campo, em especial contra ativistas e ambientalistas. Pelo segundo ano consecutivo, a Colômbia foi classificada como a pior nação do mundo para ambientalistas. Só no último ano, segundo novo relatório anual da Global Witness, pelo menos 65 pessoas que atuam na área da defesa do meio ambiente foram mortas, parte de uma onda brutal contra os defensores da terra que já ceifou a vida de 227 pessoas em todo o mundo. Aumentando o escopo, segundo dados do Indepaz, neste ano pelo menos 108 pessoas entre jovens, camponeses, indígenas, sindicalistas, ambientalistas e afrodescendentes ligados a algum tipo de atividade não governamental foram mortos; os casos, em sua maioria, seguem sem investigação. O contexto violento vem de uma equação que soma o rescaldo da luta armada, que teve uma esburacada a desigual pacificação em 2016 com a entrega de armas das FARC (saiba mais neste vídeo) a uma falha estrutural de um país que não pune e não investiga. Para a ativista Francia Márquez, que lançou sua candidatura à presidência em 2022, “existe uma ligação entre a violência armada e o modelo de desenvolvimento econômico, que faz da Colômbia o país com os líderes ambientais mais assassinados. Não há possibilidade de acesso à justiça e, quando o fazemos, é lento e ineficaz”. Em El País.

Perguntado sobre a brutalidade policial em resposta aos protestos no país (que terminaram com um banho de sangue nas ruas, como contamos neste Giro Latino Cast), o presidente Iván Duque disse, em entrevista, que “o momento dos protestos nos serve para transformar a adversidade em oportunidade”. Essa e outras questões, como economia, Venezuela e uma reforma na polícia do país, são tema da conversa do mandatário com El País.

COSTA RICA 🇨🇷

Mais uma vitória judicial para o ex-presidente brasileiro Lula (2003-2010), dessa vez envolvendo o país caribenho: na segunda (13), a juíza Maria Carolina Akel Ayoub, da 9ª Vara Criminal de São Paulo, arquivou o inquérito policial que acusava o líder petista de tráfico de influência. O caso tem relação com uma palestra feita por Lula na capital San José, com suposto objetivo de influenciar os dirigentes costarriquenhos a fecharem negócios com a construtora OAS. Após a decisão, a defesa do petista disse que o fato “confirma que o ex-presidente foi vítima de lawfare” – outro tema comum na América Latina e abordado em vídeo pelo GIRO. No Poder 360.

CUBA 🇨🇺

A ilha recebeu, na quarta (15), uma nova remessa de suprimentos de saúde doados pela China, que desde 2020 tem ajudado o governo em Havana no enfrentamento da pandemia. Segundo o embaixador cubano em Pequim, Carlos Miguel Pereira, o carregamento de 24 toneladas conta com mais de um milhão de produtos como luvas, máscaras cirúrgicas, equipamentos de raios X, entre outros itens. É o quarto lote enviado ao país caribeno nos últimos três meses, incluindo ventiladores de pulmão e concentradores de oxigênio. Para os representantes chineses em solo cubano, a nova entrega “reitera o compromisso da China com a construção de uma comunidade de saúde humana e seu firme apoio a Cuba em sua luta contra a epidemia”. Na Prensa Latina.

O casamento igualitário, pauta reivindicada por ativistas há anos, pode finalmente encontrar uma brecha para avançar na lei do país. O governo publicou na quarta (15) o projeto para um novo Código da Família, que define o casamento como “uma união voluntária entre duas pessoas”, sem necessariamente especificar que se trata de algo entre um homem e uma mulher. Ainda que haja um longo caminho até uma eventual mudança – o tema ainda precisa ser debatido e, depois, levado a referendo popular – o pequeno passo gera alguma esperança em grupos LGBTQIA+, que agora esperam que não haja boicote por parte de grupos religiosos conservadores. Em 2018, quando Cuba começou a debater uma longa reforma da Constituição, o texto referente ao casamento igualitário acabou retirado do debate por pressões da Igreja. Via AP

EL SALVADOR 🇸🇻

Não foram muitos, mas entre 5 mil e 8 mil salvadorenhos resolveram ir às ruas para fazer algo pouco comum desde 2019: protestar massivamente contra o presidente Nayib Bukele, que a despeito de sua escalada autoritária ainda conserva um apoio na casa dos 80%. As manifestações, as maiores desde que o mandatário assumiu, também denunciaram a polêmica e incerta imposição do bitcoin como moeda oficial no país, medida sem precedentes no mundo. “O bitcoin foi a gota d’água, mas vemos vários meses de destruição da democracia”, disse uma das manifestantes, que também gritaram contra os desmandos de Bukele. A lista é longa: após conquistar maioria no Congresso no início do ano, o presidente desmontou o “STF” do país como quis (saiba mais neste video), destituiu juízes com mais de 60 anos, remodelou o Ministério Público e ainda comanda uma reforma constitucional que pode, entre outras coisas, garantir sua reeleição – e, apesar de toda a “modernidade” em torno da criptomoeda, o governo já disse que não está disposto a tocar em temas como o aborto (totalmente ilegal) e o casamento igualitário na nova Carta Magna. Bukele ainda foi flagrado negociando com gangues do país para manter a baixa dos números da violência e quer aumentar o tamanho das Forças Armadas. Tudo isso tem causado um clima de “basta”, ainda minoritário, mas que revela uma crescente inquietação. “Agora vão dizer que somos 3%, mas as pessoas estão acordando”, diz outra manifestante, a El País.


Dale un vistazo:

📚 O galo de ouro – Último (e menos badalado) dos três livros do misterioso e icônico escritor mexicano Juan Rulfo, mais famoso por Pedro Páramo (romance, 1955) e El llano en llamas (contos, 1953), esta obra escrita também na década de 1950 mas só publicada postumamente em 1980 é outra prova do forte regionalismo de um país rural, cheio de símbolos e caricato. A história, feita inicialmente para virar roteiro de filme, se passa em um ambiente pobre e seco, como também é seu protagonista, Dionisio Pinzón. Após perder a mãe e abraçar a miséria, o homem se lança à sorte das populares rinhas de galo, uma das poucas atividades dos rincões mexicanos. Sem dinheiro para apostar, Pinzón vê sua sina mudar quando resgata e recupera um galo dourado semi-morto, que depois o ajuda a vencer as lutas, enriquecer e conquistar o amor de uma cantora de rinhas, La Caponera. Mas, como metáfora para as batalhas penáceas, o agora enriquecido Pinzón vê que na vida também se pode pôr tudo a perder. 

📚 El gallo de oro foi lançado em 1980 e tem edição brasileira pela José Olympio.

GUATEMALA 🇬🇹

A ministra da Saúde, María Amelia Flores, deixou o cargo na quinta-feira (16), alegando razões pessoais. Ocupando o posto desde junho do ano passado, Flores viu a Guatemala se tornar um dos países mais afetados pela covid-19 nos últimos meses, enquanto o restante da região vinha apresentando tendência de queda nos contágios – o país também se situa entre os latino-americanos mais atrasados na campanha de vacinação. O novo titular da pasta será Francisco Coma, médico que vinha ocupando o vice-ministério de Hospitais. Ainda tentando avançar com a vacina, que até aqui só deu conta de imunizar completamente menos de 11% da população (o que deixa o país em 18º lugar entre os 21 que acompanhamos na região), a Guatemala recebeu nesta semana uma nova doação de vacinas: 307,2 mil doses de AstraZeneca enviadas pela Espanha através do mecanismo Covax. Na CNN.

HONDURAS 🇭🇳

A capital Tegucigalpa sediou uma reunião-chave para ditar os rumos da política migratória hondurenha. A Força-Tarefa de Atenção aos Migrantes Retornados, representada pela primeira-dama Ana García, e membros da Organização Internacional para as Migrações (OIM), deram a largada para definir as bases de uma nova legislação migratória. Segundo García, o país está enfrentando um aumento dos fluxos de migrantes que usam os menores de idade como “passaportes” ou “escudos fronteiriços”, na intenção (muitas vezes frustrada) de ter o ingresso facilitado aos Estados Unidos. Ao todo, a nova política de migrações terá oito eixos fundamentais e oito objetivos de impacto, que ainda serão definidos em “jornadas participativas”. No TNH.

MÉXICO 🇲🇽

A extrema direita mostra suas garras no México, e não só por ter sido o local onde foi encontrado o brasileiro Zé Trovão, líder caminhoneiro à frente de protestos antidemocráticos a favor de Jair Bolsonaro. Para além do personagem bolsonarista, o país também viu, recentemente, seus dois polos políticos tradicionais (os híbridos PAN e PRI, que antes de López Obrador dividiram o poder por quase 100 anos) receberem na capital o líder do partido ultradireitista espanhol Vox, Santiago Abascal. A vinda de um político abertamente reacionário causou revolta: como são partidos que abraçam múltiplos espectros ideológicos, o PAN afastou o político que organizou o ato com o Vox, ao passo que o PRI desmentiu qualquer acordo com a legenda espanhola. Mas, segundo especialistas, é um sinal de que há algum respaldo a movimentos ultraconservadores, e que a oposição a AMLO (mesmo aquela não-radical) pode fazer de tudo para destronar o primeiro presidente de esquerda da história do México. “Não é apenas uma expressão de viés político, mas está exposta nos aspecto político, econômico e social”, diz Luis Ángel Hurtado, consultor e acadêmico na faculdade de Ciências Políticas da Universidade Nacional Autônoma do México, a UNAM. Em El País.

Às vésperas da reunião da Celac no México, órgão multilateral do qual Cuba faz parte (o que não ocorre com a OEA), o presidente cubano Miguel Díaz-Canel foi recebido por seu homólogo mexicano como convidado de honra na parada militar que celebra a Independência local, ocorrida na quinta-feira (16). AMLO aproveitou a oportunidade para pedir que os EUA encerrem o bloqueio econômico a Cuba, enquanto opositores ao governo da ilha realizaram protestos contra a aproximação entre os dois países. O México enviou ajuda humanitária a Havana após as manifestações contrárias ao governo socialista em julho, e vem defendendo a criação de um organismo que substitua a OEA. Via AP.

A casa em Culiacán que serviu de refúgio ao megatraficante Joaquín El Chapo Guzmán, quando se escondia em 2014, foi reformada e vai virar prêmio de loteria. O Instituto para Devolver Bens Roubados ao Povo (INDEP) foi o responsável pela restauração do imóvel de 260 m², a menos badalada de três propriedades que devem ser sorteadas em breve, que incluem uma mansão em um dos bairros mais abastados da Cidade do México e um camarote no Estádio Azteca, o principal do país. Capturado seis meses depois de se esconder na casa de Culiacán, El Chapo foi extraditado para os EUA e desde 2019 cumpre pena perpétua. Via AP.

NICARÁGUA 🇳🇮

Além de limpar a lista de candidatos à presidência por meio de prisões arbitrárias, o governo de Daniel Ortega agora acusa de “terrorismo sanitário” os médicos que questionam as políticas governistas. Leonel Argüello, um dos epidemiologistas mais proeminentes do país, fugiu recentemente da Nicarágua depois de meses de perseguições e ameaças: o médico manteve uma contagem própria de profissionais da saúde que morreram de covid-19, contrariando os dados oficiais, e acusa o governo de minimizar a dimensão da crise sanitária: enquanto o Ministério da Saúde reconhece apenas 202 mortes na pandemia, o Observatório Cidadão que contabiliza vítimas de forma independente já apontava 4.531 óbitos até a primeira semana de setembro. “Não estamos trabalhando para ser um partido de oposição. Estamos trabalhando para procurar uma maneira de salvar a vida dos pacientes”, disse Argüello, sem revelar em qual país se encontra. Um dos motivos para o exílio forçado de médicos como ele – que segue acompanhando pacientes à distância – foram as declarações em tom de ameaça da vice-presidenta (e primeira-dama) Rosario Murillo no início de julho: “a esses falastrões que gostam fazer danos na área da saúde, que gostam de alarmar as pessoas, nós dizemos que tudo na vida se paga”, advertiu Murillo, insinuando que médicos e jornalistas “cantam malvadezas”. Via AP.

PANAMÁ 🇵🇦

Muito dependente do turismo, o país vai se tornar o primeiro na região centro-americana a oferecer vacinas das AstraZeneca a viajantes, medida criada para fomentar a retomada do setor crucial para a economia. Para além da necessidade de reaquecer a atividade turística, o país também conta com bons números de vacinação comparativamente: até a metade de setembro, quase 51% dos panamenhos já receberam as duas doses da vacina contra a covid-19. Via Reuters


Un nombre:

Palacio de las Garzas – literalmente “Palácio das Garças”, é o nome da sede de governo do Panamá. Embora o local venha recebendo diferentes prédios que centralizam o poder por ali desde o final do século 17, a restauração mais recente aconteceu em 1922. Foi nesta época, também, que o presidente Belisario Porras (1912-1916, 1918-1924) recebeu um grupo de garças trazidas da região de Darién para adornar o pátio principal do prédio, rendendo o nome pelo qual ele é conhecido atualmente. Substituídas regularmente, até hoje as aves são um dos símbolos do palácio e, por tradição, costuma haver uma para cada província do país.


PARAGUAI 🇵🇾

Um verdadeiro giro latino (majoritariamente): o executivo Rom Gamliel, 65, da famosa rede de hotéis Howard Johnson, no Paraguai, foi extraditado nesta quarta-feira do Panamá… para Israel. Isso se explica: o verdadeiro nome do empresário, que também tem cidadania paraguaia, é Yossi Ben Ari, o que levantou uma série de suspeitas sobre suas atividades. Com o tempo, a Polícia Nacional do Paraguai descobriu que o homem, na verdade, estava foragido da Justiça israelense desde os anos 90, quando fugiu para a América do Sul tentando escapar de uma condenação de 12 anos por levar heroína da Holanda para Israel. Até agora, vinha dando certo: em 2019, o próprio governo paraguaio participou da inauguração da rede de hotéis na qual o híbrido viajante trabalhava. De volta à terra natal e sem conseguir chegar à Colômbia (seu objetivo final na mais recente fuga), Ben Ari vai finalmente cumprir a pena. No ABC Color

A reunião da Celac, que acontece neste final de semana no México, terá sobre a mesa o debate a respeito do futuro da Organização dos Estados Americanos (OEA). Os mexicanos já apontaram no caminho de uma eventual substituição do órgão, historicamente um porta-voz hispanohablante dos interesses de Washington, mas devem encontrar um cenário dividido: entre os países que defendem a manutenção do cenário atual está o Paraguai, cujo presidente Mario Abdo Benítez já deixou claro antes de embarcar para o Norte – “estamos a favor da manutenção da OEA”. Via EFE.

PORTO RICO 🇵🇷

O FBI prendeu, na quinta (16), 29 integrantes da organização criminosa conhecida como El Grupo de los 27, que atua desde 1980 nos presídios do país. A gangue é acusada de cometer extorsões utilizando celulares contrabandeados para dentro das cadeias, realizando telefonemas para cobrar resgate por supostos sequestros – um golpe bem conhecido também no Brasil. A leva de prisões desta semana incluiu quatro agentes penitenciários que estariam envolvidos no esquema. Desde 2017, quando a atual investigação começou, estima-se que o grupo já tenha lucrado US$ 40 milhões com operações que, além dos golpes, envolviam o atravessamento de armas e drogas e a cobrança de um “imposto” de outros detentos. Em El Nuevo Día.

Grupos independentistas realizaram, no domingo (12), um protesto contra o que chamam de “anexação” da ilha pelos EUA, pedindo a autonomia total de Porto Rico. A demanda não poderia estar mais distante da concretização: após um novo plebiscito no ano passado, o hoje estado livre associado segue fazendo lobby para se converter no 51º estado dos EUA, mas para isso precisa convencer o Congresso em Washington. Há décadas, a independência total vem sendo consistentemente a opção menos popular entre os habitantes da ilha (as outras são manter o status quo ou, como se quer agora, ingressar na União), que realizam referendos periódicos sobre o tema. Neste episódio do Giro Latino Cast, falamos mais sobre a situação política em Porto Rico. Na DW.

REPÚBLICA DOMINICANA 🇩🇴

Com atraso, mas agora é oficial: o governo confirmou que a variante Delta também circula na República Dominicana. Amostras coletadas entre julho e agosto e enviadas para análise da Fiocruz, no Brasil, enfim tiveram seus resultados divulgados, com os primeiros cinco casos oficiais (um dos quais evoluiu a óbito) do país caribenho. A confirmação vem em um momento em que a vacinação avança bem em solo dominicano: com 53% da população tendo concluído o esquema vacinal original (maior índice regional após Chile, Uruguai e Porto Rico), o país é um dos latinos que já aplica uma terceira dose de reforço. Apenas 16% dos leitos reservados a pacientes com covid-19 estão ocupados, segundo o Ministério da Saúde. No Diario Libre.

URUGUAI 🇺🇾

Não foi só no Equador que rolou greve geral. Na quarta-feira (15), a central sindical PIT-CNT convocou manifestações reivindicando melhores condições trabalhistas, além de reunir vozes contra a Lei de Urgente Consideração (LUC), do governo de Luis Lacalle Pou. A LUC é um pacote de medidas diversas, que altera desde o porte de arma para policiais fora de serviço, o sistema de preços dos combustíveis e a proibição de acampamentos e pernoites em espaços públicos, e que deverá ser levada a referendo popular após um abaixo-assinado que buscava derrubá-la. Nos atos desta semana, uma multidão lotou a avenida Libertador e praças próximas ao Palácio Legislativo: o ex-presidente Pepe Mujica (2010-2015) e a senadora Lucía Topolansky, esposa dele, foram vistos sentados em cadeiras de praia na praça Isabel de Castilla. Em El País.

Daniel Radío, presidente do Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (IRCC) anunciou que, a partir de abril de 2022, será vendida uma nova variedade de cannabis com 9% de THC, a principal substância psicoativa da maconha. Segundo Radío, essa maior concentração (atualmente é de 6% de THC) ajudaria a estimular o consumo de maconha em farmácias e ajudaria a diminuir a compra ilegal por meio de traficantes e clubes clandestinos. Hoje o Uruguai tem 45.920 usuários de cannabis registrados, mas o produto só é vendido em 18 farmácias em todo o país. No Infobae.

VENEZUELA 🇻🇪

Tentando contornar a crise de desabastecimento, o governo Maduro agora está permitindo que empresas privadas administrem ao menos 13 companhias ligadas ao setor de alimentos que haviam sido nacionalizadas há uma década. O Estado mantém a propriedade das empresas, mas licencia as operações a terceiros em troca de pagamentos, afirmaram fontes à agência Reuters. Para analistas, o sucateamento do setor em meio às crises que se sucederam desde a estatização torna improvável uma recuperação da produtividade em curto prazo. 

Um episódio simbólico da crise e uma polêmica: Luis Arturo Villar, youtuber mexicano mais conhecido como Luisito Comunica, comprou um apartamento inteiramente mobiliado com vista para o mar na cidade venezuelana de Lechería por apenas US$ 20 mil (R$ 106 mil). Muito criticado por estar se aproveitando do colapso econômico venezuelano, Luisito adquiriu o imóvel por um valor inalcançável para um cidadão comum do país: US$ 1 hoje compra mais de 4 milhões de bolívares, enquanto o salário mínimo do país não chega ao dobro disso (7 milhões de bolívares). Em El País


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