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🇨🇺 Na mira de Trump, Cuba repatria corpos de soldados mortos pelos EUA em Caracas

GIRO #315 | Cena de urnas com restos mortais de militares cubanos se tornou símbolo da agressividade contra ilha – terror que pode aumentar durante o resto do ano

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jan 17, 2026
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Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana, cemitério no qual foram enterrados os restos mortais dos 32 militares cubanos que integravam a guarda presidencial de Nicolás Maduro na Venezuela. Foto: Peter Collins via Flickr

Uma por uma, as urnas contendo os restos mortais dos 32 militares cubanos caídos enquanto faziam a segurança de Nicolás Maduro foram desembarcadas do avião em Havana. Adornadas por bandeiras nacionais, na quinta-feira (15), as pequenas caixas foram carregadas por soldados na pista de pouso, ao som fúnebre de trombetas e tambores, levadas para jipes e, de lá, para uma cerimônia oficial de despedida que contou com a participação de toda a alta cúpula do governo – incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel e seu antecessor e irmão de Fidel, Raúl Castro, hoje com 94 anos e aposentado da vida política.

No ano em que Cuba se organizou para esquecer por um momento a profunda crise que enfrenta atualmente e organizar uma série de celebrações massivas rumo ao centenário de seu eterno comandante – Fidel Castro nasceu em 13 de agosto de 1926 –, o primeiro grande evento público visto no país não poderia ser mais sombrio. E didático sobre o que está por vir.

Se 2025 terminou com a Venezuela vivendo, no escuro, uma espécie de contagem regressiva para uma invasão, com todas as incertezas culminando no aparatoso sequestro de Maduro em 3 de janeiro, 2026 começa com Cuba sendo o mais provável próximo alvo de investidas dos Estados Unidos. Assim já foi dito pelo próprio Donald Trump e reiterado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, ele próprio um filho de expatriados cubanos (que deixaram o país, porém, anos antes do triunfo da Revolução).

Há décadas enfrentando o embargo, sanções e infinitos abalos econômicos que se tornaram mais graves desde o começo dos anos 2020, a ilha convive com a possibilidade de voltar a enfrentar algo que só ocorreu uma vez antes – uma tentativa de ataque direto orquestrada pelo Norte, como em 1961.

Em meio ao luto e ao temor pela perda de (mais um) aliado regional, com a virada drástica que a Venezuela se viu forçada a adotar desde a invasão estadunidense, o governo cubano agora também se depara novamente com uma questão que já enfrentou inúmeras vezes desde 1959: será que, desta vez, as pressões vindas de Washington vão ganhar contornos militares como em Caracas e, enfim, tornar-se grandes demais para resistir?

O GIRO desta semana começa contando os últimos desdobramentos em Cuba diante das ameaças.


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