
A escalada autoritária do governo de Daniel Noboa no Equador ganhou um novo capítulo tenso na segunda (18), quando movimentos rurais e indígenas denunciaram a existência de um suposto plano para assassinar uma de suas principais lideranças – o poderoso dirigente Leonidas Iza, terceiro lugar nas eleições presidenciais realizadas mais cedo este ano.
Segundo os aliados de Iza, os responsáveis pelo complô seriam membros do Centro Nacional de Inteligência (CNI), órgão do próprio governo que se tornou parte fundamental dos planos truculentos de segurança nacional do presidente. Em julho, como parte de um amplo pacote de mudanças no setor, Noboa rebatizou a pasta, definindo novas normas de inteligência e contrainteligência.
“Agentes do CNI invadiram a comunidade de San Ignacio, em Cotopaxi, semeando o terror e tentando matar Leonidas Iza”, disseram comitês locais, responsabilizando o mandatário de antemão por qualquer evento que ocorra contra “a integridade e a vida” de Iza e pedindo “que se detenha a máquina de perseguição política contra o povo”.
Os alertas recentes aumentam uma lista cada vez maior de atropelos cometidos pela gestão noboísta (ou atribuídos a ela), algo que se acirrou em 2025 – e vem aproximando seu governo do modelo que há anos é utilizado por Nayib Bukele para deteriorar a democracia em El Salvador.
Só este ano, o país sob administração do jovem político equatoriano também entrou na mira de entidades em função de uma explosão de desaparecimentos forçados e ataques diretos do Executivo à independência do Judiciário. Tudo isso enquanto a violência urbana – justamente a que Noboa diz combater – só cresce.
O GIRO de hoje liga os pontos e destrincha a crise no país andino.

